Grupo de Trabalho 3 – Gênero, Violência e Ciências Sociais

Dia 21 de outubro das 14h às 17h

Sala 07 –  Faculdade de Direito

Monitora: Bárbara Guimarães

Coordenadoras:

Marcia Calderipe – PPG Antropologia Social/DAN/UFAM
Consuelena Lopes Leitão – PPG Antropologia Social/UFAM

 

1 – LIMITES E POSSIBILIDADES: UMA TENTATIVA DE APROXIMAÇÃO COM A REALIDADE DE ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE EXPLORAÇÃO SEXUAL NA CIDADE DE MANAUS

Consuelena Lopes Leitão

Resumo: A presente tese traz uma tentativa de aproximação com a realidade de adolescentes em situação de exploração sexual na cidade de Manaus. A hipótese que sustenta sua análise é a de que a rede de proteção e a rede de exploração de crianças e adolescentes partem de lógicas próprias e diferentes de funcionamento, e que a rede de exploração está muito mais próxima da realidade das adolescentes. A partir de experiências em campo, utilizando a etnografia e a observação participante em instituições de atendimento a adolescentes e em alguns pontos onde a exploração sexual ocorre nas ruas de Manaus, esta pesquisa une a psicologia e a antropologia, nas quais prevalecem bases teóricas feministas. A partir deste apoio, utiliza dois grupos de categorias para reflexões sobre o contexto das adolescentes que revelam a agência como tema transversal em todo processo. O primeiro grupo de categorias de análise envolve sexualidade, gênero, violência e poder e o segundo grupo trata da infância/adolescência, consentimento, rede e território.  A tentativa de aproximação também permite uma leitura que apresenta as categorias nativas “enxerimento”, “rede do babado” e “rede legal”, com representações e histórias das jovens em primeiro plano. Este estudo também destaca mapas que descrevem os pontos onde a exploração sexual ocorre, as lógicas de funcionamento dos espaços e das jovens; e os números de atendimento realizados em algumas instituições da rede de atendimento a casos de violência sexual. A partir desses procedimentos, mostra algumas reflexões que podem servir de contribuição local, para pensamos em limites e possibilidades para além do eixo vítima/agressor, nos equipamentos que materializam as políticas públicas no campo do enfrentamento à violência sexual de crianças e adolescentes na cidade de Manaus.

 

2 – A VIOLÊNCIA CONTRA LGBT´S EM MANAUS E AS AGENCIAS DA RESISTÊNCIA E DO ENFRENTAMENTO: ESTUDO DE UMA DISPUTA TERRITORIAL ASSIMÉTRICA DOS CAMPOS DA MORAL E DO DIREITO.

Denis da Silva Pereira  – PPG em Antropologia Social-UFAM

Resumo: A tese apresentada é resultado de uma pesquisa desenvolvida sobre a temática da Violência contra LGBT na Cidade de Manaus, propedeuticamente, justificada pelo patente e generalizado registro de homicídios que afeta este segmento da “população” brasileira e de Manaus. Ao iniciar a pesquisa o alvo do trabalho concentrava-se em etnografar, refletir e analisar casos de homicídios, todavia no decorrer da execução do projeto o campo conduziu o trabalho para a análise mais ampla do fenômeno.  Dessa forma, estabeleci a seguinte classificação: violência simbólica, violência moral, violência física e homicídios de cunho etnocida e genocida. A tese deste trabalho parte do princípio de que a violência que afeta LGBT´S é reativa enquanto atos que decorrem a partir da ousadia de agentes LGBT´S assumirem uma identidade específica e lutarem por Reconhecimento; todavia a mesma tem sido também dispositivo de mobilização e ação de agentes de Resistência, de Enfrentamento e de muitos agentes de Estado. Neste sentido, em si, a violência pode ser pensada como a negação da política como preconizou Arendt ( 2014), todavia, num para si, os dramas e tragédias que representam as várias modalidades de violência expressam que os LGBT´S são grupos organizacionais inseridos num conflito de disputa assimétrica de cunho Territorial do campo Moral e do Direito, haja vista que em cada situação especifica dos agentes que contribuíram com esta pesquisa destaca-se a dimensão de necessidades premente e coletivas – o direito a igualdade de status, o direito ao reconhecimento e ao bem viver. Portanto, o trabalho é de forma sucinta o contar e recontar estórias, acontecimentos dolorosos que partem de minha própria experiência com a violência até as narrativas de outros agentes sociais LGBT´S; estabelece apresentação organizacional dos movimentos sociais LGBT; dos contextos políticos contemporâneos que dificultam o construção da sociedade de direitos protagonizados por Patrimonialistas, Punitivistas e Religiosos, sendo estes últimos -os religiosos- o segmento que têm pautado a agenda de negação dos Direitos dos LGBT´S em aliança com os demais segmentos conservadores.

 

3 – DILEMAS DA MATERNIDADE: ASSITÊNCIA A GRÁVIDAS PERUANAS NA REDE MUNICIPAL DE SAÚDE DE BENJAMIN CONSTANT/AM

Ana Maria de Mello Campos

RESUMO: O trabalho apresenta uma etnografia sobre o caminho percorrido por grávidas brasileiras e peruanas no sistema de saúde pública, no município de Benjamin Constant/AM. Teve como objetivo observar e descrever, comparativamente, a assistência pré-natal e as práticas adotadas por profissionais de saúde na assistência ao parto. A construção da pesquisa abrangeu revisão bibliográfica, pesquisa documental, entrevistas e observação participante. Através desses recursos foi possível reconstruir o percurso das grávidas do pré-natal ao parto, articulando a descrição da rede municipal de saúde, das relações entre profissionais de saúde e grávidas e a experiência do parto e da maternidade a partir dos relatos dos sujeitos da pesquisa. Participaram da investigação seis grávidas brasileiras e peruanas. No percurso da pesquisa, as relações observadas sugerem refletir sobre violência institucional, xenofobia e violência de gênero.

 

4 – VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E A VIOLAÇÃO DO DIREITO DA MULHER A NÃO DISCRIMINAÇÃO

Karollyne Lima Barbosa

RESUMO:A mecanização da medicina, na tentativa de atingir a perfeição nos tratamentos dos enfermos, distanciou o médico da paciente, transformou a gestante em números e aperfeiçoou-se em combater os males do corpo, sem enxergar as necessidades, medos e desejos da mulher grávida. A Fundação Perseu Abramo, em 2010, realizou uma pesquisa e constatou que uma em cada quatro mulheres sofreu algum tipo de violência no parto e/ou pós-parto durante o seu atendimento médico. Nesta senda, o objetivo da presente pesquisa é expor como a ocorrência desta violência, reconhecida como uma violência de gênero, fere os direitos direito à igualdade e não-discriminação, inerentes à mulher e pode ser caracterizada no ordenamento jurídico brasileiro. Para isso, a pesquisa utilizou o método dialético como o mais adequado, tendo em vista permitir a reflexão da violência obstétricanão como um acontecimento que tem causa e consequência em si mesmo, mas como um produto de um meio social baseado em discriminações e relações desiguais. Através da análise de documentos integrantes do sistema global de proteção aos direitos humanos, todos ratificados pelo Brasil, foi possível verificar que a violência obstétrica viola diversos direitos humanos a partir do momento em que fere o direito à igualdade e não-discriminação. Ainda, apesar de até o momento não reconhecida na legislação brasileira, a violência obstétrica pode ser considerada como a apropriação do corpo e processos reprodutivos das mulheres pela equipe médica, que se expressa em tratamentos desumanizados, com o abuso de medicação e patologização dos processos naturais, resultando na perda de autonomia e capacidade de decidir sobre seus corpos e sexualidade, impactando negativamente na qualidade de vida das mulheres. Portanto, aviolência obstétrica é uma questão de saúde pública, que deve ser tratada na mesma magnitude em que viola direitos humanos.

 

5 – FATOS E DRAMAS: O PAPEL DO SISTEMA DE JUSTIÇA NA SOLUÇÃO DE CONFLITOS DE GÊNERO

Vanuza Mesquita Sangama

RESUMO: O objetivo deste trabalho foi analisar o papel do sistema de justiça na punição de homicídios e tentativas de homicídios contra mulheres em Benjamin Constant/AM, no período de 2005 a 2011. Analisando as estatísticas por mortes violentas percebe-se que as mulheres correspondem a uma parcela significativamente inferior à população masculina. Não é, portanto, em termos de mortalidade que a violência contra a mulher se expressa nas estatísticas de saúde-doença, embora, deva-se ressaltar que entre os homicídios que atingem a população feminina, em torno de 70% a 80% os companheiros são os autores do crime, fatores percebidos na bibliografia que deu suporte teórico a este trabalho. Assim como em outros países, o Município de Benjamin Constant/AM tem um número muito elevado de denúncias de violência contra a mulher. Muitos casos denunciados à Delegacia de Polícia de Benjamin Constant envolvem mulheres de 15 a 35 anos de idade, às vezes oscila até os 45. O estudo demonstrou que as mulheres são vítimas não somente no âmbito privado, mas do próprio sistema de justiça que deferia oferecer suporte na mediação de conflitos domésticos, pois a justiça se apresenta neste contexto como lenta e ineficaz. Analisando o discurso dos atores do sistema de justiça construído nos inquéritos e processos transparecem valores que são próprios de uma cultura machista e que são inseridos nas falas no momento de construção dos fatos. Além dos documentos (dissertações, inquérito, processos e bibliografias) o trabalho utilizou do método da pesquisa qualitativa para compreender o conjunto de diferentes técnicas desenvolvidas nestas instituições, vistas aqui como complexas.

 

6. SER HOMEM E FAZER FAMÍLIA: ALGUMAS QUESTÕES SOBRE VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES A PARTIR DO GRUPO DE AUTORES

Natã Souza Lima –  PPGAS/UFAM -Pesquisador do Núcleo Azulilás

RESUMO: É consenso na bibliografia sobre o tema, que a violência sexual interfere, rearranjando ou reforçando as relações familiares. Contudo essas visões enfatizam mais os problemas causados pós-violência, esquecendo ou ignorando, como eram as relações familiares antes da violência, que alterações ou manutenções de papéis e poderes são acionadas, por meio da violência, para a manutenção ou reforço dos laços familiares. Pretendo aqui trazer algumas reflexões, à luz dos relatos de homens que cometeram violência sexual contra crianças e adolescentes, a partir de situações comentadas em reuniões do grupo de autores, sobre a ideia de “fazer família”, sua relaçãoentre ser homem e ter cometido violência sexual.

 

7 – TRANSFOBIA: RELAÇÕES ENTRE VIOLÊNCIA, TRANSGENERIDADE E CORPO NA CIDADE DE MANAUS

Isabel Wittmann

RESUMO: Nesse trabalho pretendo abordar diferentes violências sofridas por pessoas transgênero em virtude de suas identidades de gênero. As interlocutoras e interlocutores são mulheres e homens transgênero com idades variadas e pertencentes, majoritariamente, a uma classe média urbana e escolarizada em Manaus. Da dificuldade de acessar informações e procedimentos à negação do seu direito de ser, a transfobia se manifesta de formas sutis, que vão além da violência física.

 

8. MASCULINIDADES E O TABU QUE PODE MATAR

Edemilson Bibiani

RESUMO: Este trabalho tem como objetivo discutir o tabu masculino que envolve a realização do exame de toque retal e outros exames relacionados ao pênis e ao testículo. No campo de estudos de gênero e de saúde coletiva existem várias pesquisas sobre a produção de masculinidades e como o modelo hegêmonicointerfere nos cuidados com a saúde, levando muitos a morte. O cuidado, nesta situação, está associado as mulheres e os homens que rompem as barreiras e realizam, por exemplo, o exame de próstata por meio do toque retal, são feminilizados. Assim proponho uma discussão sobre a interação e reprodução de uma masculinidade heterossexual em relação ao cuidado do corpo, uma vez que o tabu do toque e a dificuldade de cuidar do corpo faz parte do modo como esses homens se percebem enquanto homens. Dentre as consequências dessa reprodução do tabu aparecem às limitações do homem no modo de se posicionar no mundo e frente a outros homens, ocasionando o aumento nos índices de morbimortalidade causadas por doenças especificamente masculinas como o câncer de próstata, de pênis e de testículo. O Estado na tentativa de minimizar estes índices elabora o Programa Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, que por meio de peças publicitárias tenta informar o homem do cuidado necessário com sua saúde.

 

9. A TRAJETÓRIA DE PROFESSORES AO PARLAMENTO NO AMAZONAS: UMA ANÁLISE DO DISCURSO SEGUNDO A PERSPECTIVA DO GÊNERO

Juçara Lobato da Silva – UFAM

RESUMO: Ao pesquisar os movimentos de professores no Amazonas nas décadas de 80 e 90 observamos a emergência de lideranças políticas que articularam candidaturas e obtiveram êxito em ingressar no parlamento municipal. O contexto ao qual nos reportamos foi o da reabertura democrática em que os partidos de esquerda, nas suas variadas vertentes, converteram-se em expressão das mudanças ensejadas pelos movimentos populares. É assim que surgem novos atores no cenário político amazonense oriundo da militância nos partido, sindicato e movimentos sociais. Deste contexto, Vanessa Grazziotin, destaca-se pela atuação na educação, sindicato e parlamento numa trajetória sui generis da qual podemos observar sob a perspectiva de gênero cruzando experiências na docência, militância e parlamento.

Palavras-chave: análise do discurso, gênero, trajetória política.