Grupo de Trabalho 5 – Relações de Gênero, Poder e Violência em Literaturas de Língua Portuguesa

Dia 21 de outubro das 14h às 17h

Sala 09 –  Faculdade de Direito

Monitores: Luanny C. P. S. Egas Soares e Michele Pinto

Coordenadora: Nicia Zucolo – Departamento de Literatura /UFAM

 

1 – CORPO INSURRECTO: PARA UMA ESPÉCIE DE POESIA FEMINISTA EM LUIZA NETO JORGE

Carolina Alves Ferreira de Abreu – UFAM (Mestrado)

RESUMO: A partir de Corpo Insurrecto, obra da poetisa portuguesa Luiza Neto Jorge, propõe-se fazer um estudo conduzido à abordagem do corpo da mulher enquanto elemento perpassado por agentes históricos e sociais,projetando-se como um lugar que de um lado é politicamente regulado, sob a hierarquia de gênero, e de outro, é marcado pelas formas de resistência. As relações de poder, vinculadas ao corpo, tornam-se mais manifestas, enquanto a poesia relaciona-se como itinerário de ressignificação e empoderamento entre as subjetividades femininas.

 

2 – A SUPOSTA LIBERDADE FEMININA EM NÉLIDA PIÑON

Edmilson de Oliveira Nobre – UFAM (Iniciação científica)

RESUMO: A sexualidade humana é marcada por vários tabus, que se acentuam de forma danosa quando se trata da sexualidade feminina. É certo afirmar que a mulher, por meio das lutas dos últimos séculos, conseguiu se libertar de certas instituições que a impediam de decidir sobre o seu próprio corpo. Contudo, percebe-se ainda que o corpo feminino passa por certas subjugações, por certos pensamentos que impedem a mulher de viver sua sexualidade de forma autônoma. O que nos leva a interrogar a respeito dessa liberdade, refletido acerca das ideias que ainda persistem em impor um lugar subalterno à mulher. Para tanto, recorremos ao conto “Cortejo do Divino”, de Nélida Piñon, para analisarmos como a autora enfatiza a liberdade feminina, entendida por nós como uma suposta liberdade.

 

3 – SUBMISSÃO FEMININA NA FAMÍLIA, EM CLARABOIA, DE JOSÉ SARAMAGO.

Kelly Gomes Cavalcante – UFAM (Mestrado)

RESUMO: Por muito tempo a mulher foi percebida como uma condição inferior com relação ao homem, refletindo moldes das sociedades patriarcais. A compreensão dos indícios iniciais dessa condição é oportunizada pelo retrato feito por Beauvoir, em Segundo Sexo. Procuro identificar meios que evidenciem a perpetuação dos valores patriarcais arraigados na mulher pelas prerrogativas masculinas e justificados na constituição da família, conforme expressa Bourdieu, em A dominação masculina, tratando da condição herdada a partir dos estados paternalistas, na visão ultraconservadora da família como modelo de ordem social e moral. Tratarei da submissão feminina dentro da instituição Família, especificamente na relação entre a mulher Rosália, o marido e a filha, como retrato aparente de uma sobreposição, às vezes absoluta, do homem.

 

4 – TIMÓTEO MENESES E MARIA SINHÁ: OS QUEER DE A CRÔNICA DA CASA ASSASSINADA DE LÚCIO CARDOSO

Wanessa Reis Filgueiras  – UFAM (Mestrado)

RESUMO: Temos por objetivo nessa comunicação abordar a Teoria Queer, usando como pano de fundo a obra Crônica da Casa Assassinada, do autor mineiro Lúcio Cardoso. Com base na obra faremos um recorte nas personagens Timóteo Meneses e Maria Sinhá para exemplificar a teoria. Nossa base teórica será os livros: Judith Butler e a Teoria Queer (2015) de Sara Salih e Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças (2015) do Richard Miskolci. Trazemos questionamentos sobre o que é o diferente? Como a sociedade se relaciona com esse diferente? Há apenas exclusão daqueles que não seguem um padrão imposto socialmente? A sociedade os segrega violentamente, baseada em sua condição de diferença?

 

5 – O TRÁFICO SEXUAL NOS CAMINHOS DA FICÇÃO: UMA LEITURA DE MYRA, DE MARIA VELHO DA COSTA

Yasmin Serafim – USP (Doutorado)

RESUMO: Maria Velho da Costa, em 2008, publicou Myra, um romance que nasceu do desdobramento de um conto publicado na revista Egoísta ainda em 2002. Como muitas das publicações da autora, este último livro apresentou ao leitor questões caras à sociedade portuguesa contemporânea, voltando principalmente o olhar para a situação da mulher no país. Dessa vez, porém, a opção por escolher uma personagem estrangeira acarreta reflexões que extrapolam a situação da mulher portuguesa e se voltam para a situação da mulher imigrante. Myra, uma garota russa de 15 anos, é uma vítima de tráfico de pessoas para fins sexuais, que foge do bordel onde trabalhava na tentativa de voltar para a Rússia. No entanto, o seu caminhar em círculos por Portugal tanto não a leva ao seu país de origem quanto, metaforicamente, não a liberta da condição de ilegitimidade no país. A partir do romance de Maria Velhos da Costa é possível discutir as implicações que a relação entre gênero e violência inflige sobre as vítimas do tráfico sexual na Europa do século XXI. Para tanto, os estudos recentes de Boaventura de Sousa Santos, Conceição Gomes e Adriana Piscitelli serão utilizados como ponte entre o atual contexto social português/europeu e o romance de Maria Velho da Costa.

 

6 – FORMAS DE VIOLÊNCIA: A MULHER SUBALTERNA EM DOIS IRMÃOS

Sibely da Silva Souza – UFAM (Mestrado)

RESUMO: Este estudo está voltado para a análise da violência como mecanismo de poder atuante sobre a mulher subalterna. A proposta se concentra na personagem Domingas, do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum. Escolheu-se verificar algumas formas de violência que se efetivam nessa mulher ficcional e permitem ver a complexidade em torno dessa temática que se configura como problema social, mas que, por vezes, aparece de maneira velada. Entendemos a literatura como forma de denúncia, pois as várias formas de violência encontradas em textos literários mostram que devemos analisá-los sob esse viés. Desse modo, é possível perceber a sistematização dos muitos fatores que colaboram para a efetivação da violência contra a mulher na sociedade. Para o desenvolvimento deste estudo, utilizamos como aparatos teóricos: Zizek que aborda conceitos como violência objetiva e subjetiva, e Pierre Bourdieu que fala sobre o conceito de violência simbólica. Por tudo isso, vale ressaltar que a violência é construída como um mecanismo de controle atuante sobre os corpos e está vinculada ao poder patriarcal/masculino que se faz presente na atualidade e ainda é exercido sobre as mulheres como se fizesse parte de uma “ordem natural” concedida ao homem e também à sociedade.

 

7 – MANIFESTAÇÕES DE VIOLÊNCIA E AUTORITARISMO EM O TORTURADOR EM ROMARIA, DE HELONEIDA STUDART.

Renata da Silva Targino – UFAM (Mestrado)

RESUMO: Propõe-se fazer uma discussão sobre as manifestações de violência e autoritarismo presentes na obra O torturador em romaria (1986), de HeloneidaStudart, em relação às personagens femininas da narrativa, demonstrando como o ambiente machista do nordeste brasileiro e a mentalidade da dominação masculina exercem violência e controle sobre as figuras femininas na obra. A proposta de reflexão deste trabalho é voltada para a violência institucionalizada que se instrumentaliza, na obra, não só pelo contexto da ditadura militar brasileira, mas pela opressão gerada através de instituições como a Família, Igreja, sociedade etc.

 

 

8 – ADÍLIA LOPES: A ESCRITA FEMININA À LUZ DA EXPERIÊNCIA COM RECUO

RayesleyRicarte Costa – UFAM (Iniciação Científica)

RESUMO: Pretende-se, a partir deste trabalho, apresentar a autora Adília Lopes à comunidade acadêmica e refletir acerca da condição da autoria feminina e falta de reconhecimento pelo cânone, relacionando o estado de saúde de Adília no momento em que começa a escrever, sem esquecer-se de como a sociedade trata os sujeitos que sofrem de doenças psíquicas. Para tanto, utilizar-se-á o ato XII do livro O poeta de Pondichéry.

 

9 – AMOR DE MULHERES NA LITERATURA: ESTADO DA ARTE DE SAFO DE LESBOS ATÉ OS DIAS ATUAIS

Suzane Kamilly Moreira Patricio – UFAM (Iniciação Científica)

RESUMO: Este trabalho corresponde à proposta de investigação sobre o tema Lesbiandade (homossexualidade feminina e homoerotismo) na Literatura desde Safo de Lesbos até o momento atual, por meio de levantamento do Estado da Arte na Literatura Brasileira. A primeira parte do trabalho será um estudo sobre Safo de Lesbos, como primeira poetisa a escrever sobre a relação homoerótica, mostrando as dores, angústias, preconceito social e a invisibilidade da mulher lésbica. Em sequência, será realizada pesquisa sobre Estado da Arte, na qual pretendemos identificar tema em textos da Literatura Brasileira e em pesquisas em andamento ou concluídas em universidades brasileiras. Pretendemos, assim, identificar obras, autores (as), pesquisadores (as) e perspectivas da presença e abordagem do tema: afinal, como esse tema e sua Literatura são vistos pela sociedade; como se percebe a presença do amor entre mulheres nas entrelinhas dos textos; se esse tema (homossexualidade pesquisa sobre Lesbiandade na Literatura) tem ganhado maior espaço nas pesquisas acadêmicas. A pesquisa será fundamentada no Paradigma da Complexidade de Edgar Morin, na Teoria de Residualidade Literária e Cultural, de Roberto Pontes e na Literatura Comparada.